Abadá Capoeira - Mestre Camisa - Nossa Raizes posteado en Capoeiras.Com, Posted: 24 Oct 2006 10:47 pm por el entonces usuario CANTOR
Abadá Capoeira - Mestre Camisa - Nossa Raizes
Renovacao
Nos terreiros cativeiro
Negro era sofredor,
Lutou com muita vontade
A capoeira ele emcontrou
Foi nos tempos de mandinga
Malandragem e escravidão
Ao som dos atabaques
Sangrava meu coração
Nos deixou sua cultura
O banzo e a solidão
Agradeça a Mestre Bimba
Que a regional criou
Olha a luta que veio do Batuque
No mundo se espalhou
Começou pela Bahia
Em Goias ele parou
Mas a luta ai não para
Mestre Camisa chegou
Branco em forma de negro
A capoeira renovou
Camará
É viva meu Deus!
Leva Eu para Angola
Leva eu pra Angola êê
Leva eu pra Angola êâ
Pra saber dos fundamentos
Entender capoeira (coro)
Angola do Imbundeiro
Da manha do mandingueiro
Pra entender a capoeira
Você tem que ir lá primeiro
Entender a capoeira
E as lutas que tem lá
No Ngolo e na Bassúla
O nego faz derrubar
Lá nasceu o berimbau
Quem comanda agora é o Gunga
Em Luanda chamam Ungo
Em Beguela é Mburunbunba
Terra que tem energia
Você sente a emoção
A cultura do meu povo
Carrego no coração
Passando por Luanda
Eu pude presenciar
As histórias de Muxima
E a energia que tem lá
Santa Maria na Bahia
Cupela na capital
Hoje em dia virou jogo
No toque do Berimbau
Sinha mandou Chamar
Sinhá mandou chamar
Sinhá mandou dizer
Que se o negro não vim vai apanhar
Mais nego não quer saber
Nego não quer saber
Se vai para o tronco de madeira
Pois o nego esquece tudo
Quando está na Capoeira
Antigamente era assim que acontecia
Se o nego não obedecesse
Tinha o Capitão que prendia
Pra bater na covardia
Hoje em dia é diferente
Com a Aboliçao da Escravatura
E a corda que amarrou o nego
Hoje trago na cintura
A dor era tanta
Que feria o coração
Pois sabia que apanhava
O castigo quem dava era um irmão
Eu vim de Luanda
Eu vim de Luanda é...
Ê Luanda
Fui trazido de navio
Vi o meu irmão sofrer
No açoite do chicote
Apanhava até morrer
O meu pai disse meu filho
Fuja para não morrer
O meu pai não fujo não
A batalha eu vou vencer
Nossa arte Brasileira
Descendente das culturas
De origens Africana
Ngolo Cambangula e Bassúla
Africano no Brasil
Com o Indio Guarany
E o branco estrangeiro
Formaram o povo Brasileiro
Criou uma raça mestiça
Conhecida no mundo inteiro
Boa de bola e de ginga
E tambem hospitalheiro
No balanco do Mar
No balanço do mar ioio
No balanço do mar iaia
No balanço do mar ê ê
No balanço do mar
Lá vem o navio negreiro
Trazendo africanos de lá
E aqui em solo brasileiro
Escravos iam se tornar
No porto eu fui vendido
Para o senhor da fazenda
Pra plantar e cortar cana
E trabalhar na moênda
Mas o negro era valente
E tinha alma guerreira
Fugia do cativeiro
Pro meio da capoeira
Vou me embrenhar na mata
As correntes arrebentar
Eu vou voltar pra minha terra
Eu vou no balanço do mar
Corda de Valor
Escute aqui meu jogador
A sua corda é de valor
Corad Crua é uma criança
Aprendendo a engatinhar
Se tiver pesseverança
Capoeira jogar
Corda Amarela é Ouro
Aprendizagem de valor
Laranja é Sol nascente
Que desperta um sonhador
Corda Azul é a correnteza
Da imensidão do Mar
Corda Verde é a floresta
Alicerce da Abadá
Corda Roxa tem mistérios
Só o tempo vai revelar
Marrom é o Camaleão
Que preserva a Abadá
Corda Vermelha é Rubi
E a justiça vai jurar
Corda Branca é o Diamante
Que reflete a Abadá
Ao passar do tempo
Vai sofrer transformação
Preservando a sua essênçia
Como o Camaleão
Eu tava na Bahia
Eu tava lá na Bahia
Ê Bahia
Quando o berimbau tocou
Ê Bahia
Lá no alto da ladeira
Ê Bahia
Capoeira me chamou
Ê Bahia
Menino vem aprender a jogar
Capoeira
Menino vem aprender a jogar
Capoeira
Na Vida tudo acontece
Na vida tudo acontece
Olha o que aconteceu
João teve ouro teve gado
Hojge ele é um empregado
Na fazenda que era sua
Hoje ele toca o gado
Já teve várias mulheres
Vários carros importados
Hoje tem uma carroça
E um cavalo impacado
Uma casa com goteira
Sobre a luz do lampião
Bebida e mulher
Foi a sua perdição
Hoje nao tem mais dinheiro
A mulher lhe abandonou
Hoje vive pelo mundo
Disprezado sem valor
Camará...
E Luanda
Ê Luanda
Ê Luandê
Luta de pescador
É chamada Bassúla
Luta de mão aberta
É chamada Cambangula
Berimbau na capoeira
Lá é chamado de Ungo
Ou urugungo
Que é a sua maneira de dizer
La se fala Kimbundo
La se fala Kigongo
Os Angolanos
Cantam e falam em Português
Lamento da Bahia
A Bahia chorou
A Bahia chorou
A Bahia chorou chorou
A Bahia chorou
Foi se embora Mestre Bimba
Que a regional criou
Mas deixou a capoeira
Nossa arte de valor
Na roda dos velhos Mestres
Só se ouvia um lamento
Foi se embora seu Pastinha
Foi morar no finamento
Berimbau tava tão triste
Eu não sabia o porque
Percebi que era saudade
Do saudoso Aberrê
Na roda do cáis do porto
Berimbau silenciou
Foi se embora Waldemar
O maior dos cantador
A Bahia sente a falta
Mas devia recordar
De Traira, Canjiquinha
E Besouro Mangangá
Planta Cana
Então planta cana
Canavierio
Pra depois cortar
Canaviero
Pra não ir pro tronco
Canaviero
Tem que trabalhar
Canaviero
No velho engenho da moenda
A cana vai virar melado
A custa do suor do negro
A custa do trabalho escravo
A cana de açucar
Adoça a boca do feitor
Enquanto o negro escravizado
Só prova o gosto da dor
Dentro do canavial
O negro planta pra colher
E no meio da colheita
Batia o maculelê
Roda do Barracao
Vinha de Ilha de Maré
Pelas praias da Ribeira
Pescador Estivador
Para as rodas de capoeira
Seu andar malandriado
No corpo sua proteção
No chapéu uma navalha
E uma estrela de Salamão
Passado de tradição
Uma vida traiçoeira
De oficio Artesão
Da arte da Capoeira
No peito um sentimento
Saudade do ancestral
Na garganta um lamento
No toque do berimbau
Era Traira, Najé
Onça Preta, Cabelo Bom
Bráulio Buglaho e
Waldemar da Paixão
Domingo dia de festa
Malandragem vadiação
Alegria e camaradagem
Na roda do barracão
Seu nome será lembrado
Morreu não está mais aqui
Nas pinturas de Caribé
Nas fotos do Fatumbi
Dende Mare
O dendê dendê maré
O dendê dendê maré
Pescador já vai pro mar
Foi de encontro com a maré
Procurando o peixe bom
Conforme a baiana quer
Baiana prepara o peixe
Pescador trouxe do mar
Põe tempero na moqueca
Dendê não pode foltar
Tontonho de maré
Foi um grande jogador
A onda balança o barco
Como Totonho balançou
Puxa puxa leva leva
Puxa a rede do mar
Se for um bom pescador
Peixe bom não vai faltar
É noite de lua cheia
Pescador volta do mar
Vai ter festa na aldeia
Capoeira vai jogar
Na mare mansa
Na maré mansa já sei remar
Na maré brava meu barco não vai virar
Eu já remo a muito tempo
E sei que não é atoa
Nem a chuva nem o vento
Vão virar minha canoa
Não me iludo com a lua
Nem com o canto de sereia
Sou filho de jangadeiro
Pescador sou capoeira
Pode cair temestade
Pode vir tempo ruim
Que a vida de um capoeira
Eu já sei é mesmo assim
Viva Bimba
Viva Bimba e e
Viva Bimba a a
Lutador renomado
Hoje não tem igual
Jogador na Angola
Mestre na regional
Defendeu a sua arte
Combatendo no ringue
Adotou o Salomão
Pois a faca não atinge
No engenho de Brotas
Nordeste de Amaralina
E na Roça do Lobo
Bimbau viveu sua sina
Manoel foi para o céu
Bimba ficou na história
Onde o berimbau toca
Reinará a sua glória
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