Ladainhas (20)


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A história nos engana - mestre moraes

A história nos engana
Diz tudo pelo contrário
Até diz que aboliçâo
Aconteceu no més do maio

 

A prova dessa mentira
É que da miséria ou não saio
Viva vinte de novembro
Momento para se lembrar

Não vejo no treze de maio
Nada para comemorar
Muitos tempos se passaram
E o negro sempre a lutar

Zumbi é nosso herói
Zumbi é nosso herói, colega velha
Do Palmares foi senhor
Pela causa de homen negro
Foi ele que mais lutou

A pesar de toda luta, colega velha
O negro nâo se libertou, camara

A roda vai começar

Subiu ao céu Zumbi 
Aberrê e Paraná, 
Também subiu Mestre Bimba 
e Besouro Mangangá 
 
lá no céu tem capoeira, 
uma estrela me falou. 
Quando ronca a trovoada 
É que a roda começou 
 
Joga Besouro, Zumbi 
Mestre Bimba e Paraná 
a roda estava animada 
Todo mundo a espiar 
 
Mas Pastinha aqui na terra 
Estava cego a lamentar 
Levantou a mão e disse: 
Ah meu Deus! Eu também 
quero jogar 
 
Subiu ao céu Pastinha 
Começou a trovejar 
No céu um clarão mais 
forte o iaiá. 
A roda vai começar, camarada.. 

A saga do cantador (autor: boa voz)

Menino fique sabendo, ô iaiá 
O peso de um cantador 
É responsabilidade 
De verdade sim senhor 
Não é só gritar iê 
E abrir a boca pra cantar 
É coisa que vem de dentro 
Dada por meu Deus, meu Pai 
Tem que passar energia, ô iaiá 
E saber contagia 
Falar de coisa bonita 
E também fazer chorar 
Estrela brilha no céu, ô iaiá 
Mas não brilha como o sol 
Nosso sol é nosso mestre 
Que devemos respeitar 
Por isso se algum dia, meu Deus 
Você não me ouvir cantar 
Por favor colega velho 
Não fique zangado não 
É que esse não é meu o dia, ô iaiá 
Me desculpe meu irmão 
E saiba que eu trago sempre 
Dentro de meu coração 
Camará 
 
Iê, viva meu Deus 
Iê, viva meu mestre 
Iê, a capoeira 
Iê, Salve Bahia 
Iê, viva Rio de Janeiro 
Iê, Salve o Brasil 

Acende a luz (boa voz)

Acende a luz crioula 
Pro terreiro clarear 
Traz pra fora o candeeiro 
Que a roda vai começar 
Hoje é noite sem lua 
E os cabras já vão chegar 
Hoje é dia de festa 
Capoeira no arraial 
Lá vem Besouro e Zumbi 
Seu Traira e Paraná 
Tem uns pretos batuqueiros 
Que vieram pra cantar 
Cantador pra cantador 
Já lá vem seu Valdemar 
Corre lá pega meu gunga 
Pra mestre Bimba tocar 
Nega traz meu candeeiro 
E não deixa apagar 

Ás vezes me chamam de negro

Ás vezes me chamam de negro 
Pensando que vão me huilhar 
Mas o que eles não sabem 
É que só me fazem lembrar 
Que eu venho daquela raça 
Que lutou pra se libertar 
 
Que eu venho daquela raça 
Que lutou pra se libertar 
 
Que criou o maculelê 
Que acredita no candomblé 
Que tem o sorriso no rosto 
A ginga no corpo e o samba no pé 
 
Que tem o sorriso no rosto 
A ginga no corpo e o samba no pé 
 
Que fez surgir de uma dança 
Uma luta que pode matar 
Capoeira, arma poderosa 
Luta de libertação 
Brancos e negros na roda 
Se abraçam como irmãos 
 
Camarada o que é meu? 
É meu irmão 

Homenagem a zumbi dos palmares

Angola terra dos meus ancestrais; 
Angola; 
De onde veio a capoeira; 
Angola; 
Do toque do berimbau; 
Angola; 
E vivia no Quilombo; 
O valente rei Zumbi; 
Guerreiro de muitas lutas; 
Por seu povo sofredor; 
Foi general de batalha; 
Sem patente militar; 
Inteligência e coragem; 
Não lhe podia faltar; 
Ele nasceu no Quilombo; 
Porém foi aprisionado; 
Criado por padre Antônio; 
Francisco foi batizado; 
Aprendeu lingua de branco; 
Mas não se subordinou; 
Dentro dele era mais forte; 
O seu "eu" de lutador; 
Fugindo para Palmares; 
Ganga Zumba o recebeu; 
O Quilombo estava em festa; 
Viva Zumbi Ganga o rei; 
Foi quando tudo mudou; 
Até vir a traição; 
Mataram Zumbi guerreiro; 
Sem nenhuma compaixão; 
Seu nome será lembrado; 
Para sempre na história; 
Força de espírito presente; 
Não nos saia da memória; 
 
Iê, viva meu Deus; 
(Refrão) Iêêêê, viva meu Deus, camará;(Refrão) 
 
Iê, viva Zumbi; 
(Refrão) Iêêêê, viva Zumbi, camará;(Refrão) 
 
Iê, viva meu Mestre; 
(Refrão) Iêêêê, viva meu Mestre, camará;(Refrão) 
 
Iê, a capoeira; 
(Refrão) Iêêêê, a capoeira, camará;(Refrão) 
 
Iê, viva Deus do céu; 
(Refrão) Iêêêê, viva Deus do céu, camará;(Refrão) 
 
Iê, salve a Bahia; 
(Refrão) Iêêêê, salve a Bahia, camará;(Refrão) 

LEMBRANÇAS DOS ANCESTRAIS

Ai que saudade 
Do tempo de antigamente 
Quando os mestres se encontravam 
Pra jogar a capoeira 
 
Chapéu de palha 
Terno todo alinahado, 
Seus sapatos engraxadas 
Que elegância, meu irmão, 
Jogo de angola 
Se arrastando pelo chão 
Sem sujar as suas roupas 
Esta era tradição 
E os berimbaus 
Tocavam em harmonia 
Às vezes toque avisava 
Quando a polícia se vinha 
Que tempo bom 
Tempo que não volta mais 
Hoje trago na memória 
Todos nossos ancestrais camará 
Iê viva meu deus 
iê viva meu deus, camará 
Iê viva meu mestre 
iê viva meu mestre, camará 
Iê que me ensinou 
iê que me ensinou, camará 
Iê a capoeira 
iê a capoeira, camará 
Iê a malandragem 
iê a malandragem, camará 
Iê ta volta mundo 
iê ta volta mundo, camará 
Iê vamos embora 
iê vamos embora, camará 

Lenda viva (boa voz)

Mandei, caiá meu sobrado 
Mandei, mandei, mandei 
Mandei caiá de amarelo 
Caiei, caiei, caiei! 
 
Amarelo que lembra dourado 
Dourado, que é meu berimbau 
Dourado, de cordão de ouro 
Besouro, Besouro, Besouro 
 
Pra quem nunca ouviu falar 
Pra aqueles que dizem: é lenda! 
Pois saibam que Besouro preto 
Viveu, viveu e morreu! 
 
Pras bandas de Maracangalha, 
Sem temer a inimigo nenhum 
Não valeu, seu corpo fechado 
Pras facas de aticum! 
 
Mas mesmo depois de morto 
Entre uma e outra cantiga 
Besouro vai sempre viver 
Enquanto existir mandinga! 
 
Mandei, caiá meu sobrado 
Mandei, mandei, mandei 
Mandei caiá de amarelo 
Caiei, caiei, caiei! 
 
Iê viva meu Deus! 
Iê viva meu Deus, camará ! 
Iê viva meu mestre! 
Iê viva meu mestre, camará ! 
Iê na capoeira! 
Iê na capoeira, camará ! 
Iê vamos embora ! 
Iê vamos embora, camará ! 

Linda bahía

Bahía, linda Bahía 
Terra de tanta beleza 
Há alí Amaralina, lagoa do Abaeté 
Boqueiro de Itapõa, ladeira do Pelourinho 
E no Mercado Modelo, camará, capoeira acarajé…
Viva meu Deus! 
 

Menino da pero vaz

Eu mandei 
Um recado lá pro céu 
Pedindo pra Nosso Senhor 
Que olhasse ao chegar 
Que recebesse com glória 
Nosso mestre Waldemar 
A roda deve estar pronta 
Pra quando ele chegar 
Dê lhe um berimbau vozeiro 
E por favor, deixe-o cantar 
Diga lá menino velho 
Como lá na Pero Vaz 
Na Bahia de outrora 
Dos seus tempos de rapaz 
Lá se foi Pastinha e Bimba 
E Besouro Mangangá 
Deus achou que era tempo 
De levar seu Waldemar 
Atenção capoeiristas 
Não é hora pra chorar 
Feche os olhos e imagine 
A roda vai começar, Camará 

Mundo engenador (domínio público)

Todo mundo quer ser bom 
Todo mundo quer ser bom 
Mas ruim ninguém quer ser 
Todo mundo quer matar 
Mas ninguém não quer morrer 
Já não sei como se vive, colega velho 
Nesse mundo engenador 
Fala muito é falador 
Quem fala pouco é manhoso 
Come muito é guloso 
Come pouco é sovino 
Se bater é desordeiro, colega velho 
Se apanha ele é mofino 
Trabalho tem marimbondo, oi iaiá 
Fazer casa no capim 
Vem o vento leva ela, ai meu Deus 
Marimbondo leva fim 
Caveira que te matou, ai meu Deus 
Foi a lingua meu senhor 
Eu sempre te dei conselho 
Tu pensava ser ruim 
E eu sempre lhe avisando 
Colega velho 
Inveja matou Caim, camará 
 
Iê, é hora é hora 
Iê, viva meu Deus 
Iê, galo cantou 
Iê, cocoroco… 

Na vida tudo acontece

Na vida tudo acontece 
Olha o que aconteceu 
João teve ouro teve gado 
Hojge ele é um empregado 
Na fazenda que era sua 
Hoje ele toca o gado 
Já teve várias mulheres 
Vários carros importados 
Hoje tem uma carroça 
E um cavalo impacado 
Uma casa com goteira 
Sobre a luz do lampião 
Bebida e mulher 
Foi a sua perdição 
Hoje nao tem mais dinheiro 
A mulher lhe abandonou 
Hoje vive pelo mundo 
Disprezado sem valor 
Camará... 

Negro chora o lamento

Autor: Peninha 
 
Lá no canto da senzala (2x) 
Negro ajoelhado ao chão 
pedindo a deus do céu 
pra acabar com a escravidão 
negro foi muito guerreiro 
ao fugir de seu patrão 
aprisionado na senzala 
não entendia a razão 
porque tanto sofrimento 
porque tanta maldade 
negro chora o lamento 
gritando a liberdade 
o grito de liberdade 
este fato ocorreu 
acabou a maldade 
e o negro renasceu 
das senzalas para os portos 
roubando velhos mercados 
do sistema o negro foi 
novamente aprisionado 
teu passado tem historia 
que não posso esquecer 
a capoeira que tu criou 
hoje agradeço à você 
camaradinha 
 
Ê viva o negro 
Ê foi o guerreiro 
Ê da história 
Ê do Brasil 
Ê viva meu Deus 
Ê camaradinha 
Ê viva o mestre 
Ê quem me ensinou 

No navio negreiro

No navio negreiro 
No tempo da escravidão 
Seguia sem rumo o negro 
Sem rumo seu coração 
No canavial 
Negro era o carro forte 
Entre a vida e a morte 
Negro era a solidão 
Hoje negro é vida 
Negro é luz é um talento 
Mas que em certos momentos 
Sinto em seu peito uma dor 
 
Para tentar esquecer 
Das angústias do passado 
Daquele rosto marcado 
Faz meu corpo enfraquecer 
Mas algo 
Dentro de mim é mais forte 
Me conduz além da morte 
E guia meu coração 
Sinto em meu peito 
A força da capoeira 
Essa arte brasileira 
Luta de libertação 
 
Por isso 
Quondo eu toco um berimbau 
Sinto arrepiar a alma 
Sinto a mente mais calma 
Minha dor se vai então, Camarada 

Peleja de riachão (domínio público)

Riachão tava cantando, ai meu Deus! 
Na cidade do Açú 
Quando apareceu um negro 
Quando apareceu um negro, oi iaiá 
Da espécie de urubu 
Com uma camisa de sola, oi iaiá 
E calça de couro cru 
Beiço grosso e virado, ai meu Deus 
Como a sola de um chinelo 
Um olho muito encarnado 
Um olho muito encarnado 
O outro bastante amarelo 
Convidou a Riachão, ai meu Deus 
Para vir cantar martelo 
Riachão lhe respondeu 
Eu aqui não tô cantando, oi iaiá 
Com negro desconhecio 
Você pode ser cativo, oi iaiá 
E tá por ai fugido 
Isso e dar fala nambú 
Isso e dar fala nambú 
Puxa já negro enxerido 
Eu sou livre como o vento, oi iaiá 
A minha linhagem é nobre 
Nasci dentro da nobreza, oi iaiá 
Não nasci na raça pobre 
Você nega por que quer 
Está congecido demais 
Se você não for cativo, oi iaiá 
Me diga o que você faz 
Seja livre ou seja ou seja escravo 
Eu quero cantar martelo 
Afine sua viola 
Vamos entrar em duelo 
Só com a minha presence 
O senhor já tá amarelo, camaradinha 
Viva meu Deus… 

Percepção - mestre muito tempo

A capoeira me ensina
A capoeira me ensina, colega velho
A capoeira me ensinou
A capoeira me ensina
A capoeira me ensina, colega velho
A capoeira me ensinou
 
Única coisa nos temos, cv
É só nossa percepção 
Quando um fala sim, com certeza 
Outro vai fala não 
Um fala jogue em cima 
Outro é melhor no chão 
Uma escola fala bem 
Outra (é) contra tradição 
Cada dia cada roda
Cada dia cada roda
Sempre tem grande lição 
Quem tá certo, quem tá errado  
É só sua opinião 
Camara
 

Renovação

Nos terreiros cativeiro 
Negro era sofredor, 
Lutou com muita vontade 
A capoeira ele emcontrou 
Foi nos tempos de mandinga 
Malandragem e escravidão 
Ao som dos atabaques 
Sangrava meu coração 
Nos deixou sua cultura 
O banzo e a solidão 
Agradeça a Mestre Bimba 
Que a regional criou 
Olha a luta que veio do Batuque 
No mundo se espalhou 
Começou pela Bahia 
Em Goias ele parou 
Mas a luta ai não para 
Mestre Camisa chegou 
Branco em forma de negro 
A capoeira renovou 
Camará 
É viva meu Deus! 
 

Solidão do capoeira

Moça bonita dos cabelos enrolados, 
que me deixou afogado nas águas da solidão. 
Maré baixou, ela veio e me salvou. 
Olhei para os olhos dela, ai meu Deus 
que tanto amor. 
Berimbau toca, a roda vai começando. 
Capoeira eu vou jogando, porque tenho 
que jogar. 
Sou capoeira, me orgulho da minha arte. 
É uma arte brasileira da vida da escuridão. 
Os negros escravos foram uma raça 
tão sofrida, ê, ê, ê. 
Tanta dor, tanta ferida nas costas do negro 
irmão. 
Sofri bastante, hoje já não sofro mais ê, ê, ê. 
Encontrei o meu amor ô, ia ia, não esquecerei jamais. 
Iê moça bonita, 
Iê moça bonita, camarada... 
 
Composição: Serjão. Intérpetre: Tatinho.

Vivência

A mulher da língua grande 
A mulher da língua grande 
E galo que não tem espora 
Um fala da vida alheia 
O outra canta fora de hora 
 
Galo velho quando canta 
Avisa que está na hora 
Tropeiro que acorda tarde 
Pega o burro na espora 
Caçador quando se perde 
É coisa do caipora 
O cabra do sangue quente 
Pra brigar não escolhe a hora 
Quando vê a coisa feia 
Na hora não se apavora 
Quem sabe pega com jeito 
Qem não sabe pega na tora 
Vivo aprendendo nessa vida 
O mundo é minha escola, Camaradinha... 

Zumbi

Zumbi negro valente guerreiro, 
que fugiu do cativerio para uma luta começar. 
Ele fundou o Quilombo dos Palmares, 
onde tinha liberdade e poder de se expressar. 
Lá eles viviam em grande comunidade, 
não existia desigualdade, nem tronco pra apanhar. 
Mas certo dia, 
em uma noite tão sombria, 
todos esperavam ele. 
Nada de Zumbi chegar, e de repente 
no meio da multidão uma ecoava forte, 
aconteceu a traíção. 
Zumbi morreu, mas nada disso adiantou. 
Hoje fazem 300 anos, 
todos cantam em sou louvor 
Iê, viva Zumbi 
Iê, guerreiro de Palmares 
Iê, viva meu mestre. 
 
Composição: Jairão. Intérprete: Jairão. 


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