A história nos enganaDiz tudo pelo contrárioAté diz que aboliçâoAconteceu no més do maio
A prova dessa mentira
É que da miséria ou não saio
Viva vinte de novembro
Momento para se lembrar
Não vejo no treze de maio
Nada para comemorar
Muitos tempos se passaram
E o negro sempre a lutar
Zumbi é nosso herói
Zumbi é nosso herói, colega velha
Do Palmares foi senhor
Pela causa de homen negro
Foi ele que mais lutou
A pesar de toda luta, colega velha
O negro nâo se libertou, camara
Subiu ao céu Zumbi
Aberrê e Paraná,
Também subiu Mestre Bimba
e Besouro Mangangá
lá no céu tem capoeira,
uma estrela me falou.
Quando ronca a trovoada
É que a roda começou
Joga Besouro, Zumbi
Mestre Bimba e Paraná
a roda estava animada
Todo mundo a espiar
Mas Pastinha aqui na terra
Estava cego a lamentar
Levantou a mão e disse:
Ah meu Deus! Eu também
quero jogar
Subiu ao céu Pastinha
Começou a trovejar
No céu um clarão mais
forte o iaiá.
A roda vai começar, camarada..
Menino fique sabendo, ô iaiá
O peso de um cantador
É responsabilidade
De verdade sim senhor
Não é só gritar iê
E abrir a boca pra cantar
É coisa que vem de dentro
Dada por meu Deus, meu Pai
Tem que passar energia, ô iaiá
E saber contagia
Falar de coisa bonita
E também fazer chorar
Estrela brilha no céu, ô iaiá
Mas não brilha como o sol
Nosso sol é nosso mestre
Que devemos respeitar
Por isso se algum dia, meu Deus
Você não me ouvir cantar
Por favor colega velho
Não fique zangado não
É que esse não é meu o dia, ô iaiá
Me desculpe meu irmão
E saiba que eu trago sempre
Dentro de meu coração
Camará
Iê, viva meu Deus
Iê, viva meu mestre
Iê, a capoeira
Iê, Salve Bahia
Iê, viva Rio de Janeiro
Iê, Salve o Brasil
Acende a luz crioula
Pro terreiro clarear
Traz pra fora o candeeiro
Que a roda vai começar
Hoje é noite sem lua
E os cabras já vão chegar
Hoje é dia de festa
Capoeira no arraial
Lá vem Besouro e Zumbi
Seu Traira e Paraná
Tem uns pretos batuqueiros
Que vieram pra cantar
Cantador pra cantador
Já lá vem seu Valdemar
Corre lá pega meu gunga
Pra mestre Bimba tocar
Nega traz meu candeeiro
E não deixa apagar
Ás vezes me chamam de negro
Pensando que vão me huilhar
Mas o que eles não sabem
É que só me fazem lembrar
Que eu venho daquela raça
Que lutou pra se libertar
Que eu venho daquela raça
Que lutou pra se libertar
Que criou o maculelê
Que acredita no candomblé
Que tem o sorriso no rosto
A ginga no corpo e o samba no pé
Que tem o sorriso no rosto
A ginga no corpo e o samba no pé
Que fez surgir de uma dança
Uma luta que pode matar
Capoeira, arma poderosa
Luta de libertação
Brancos e negros na roda
Se abraçam como irmãos
Camarada o que é meu?
É meu irmão
Angola terra dos meus ancestrais;
Angola;
De onde veio a capoeira;
Angola;
Do toque do berimbau;
Angola;
E vivia no Quilombo;
O valente rei Zumbi;
Guerreiro de muitas lutas;
Por seu povo sofredor;
Foi general de batalha;
Sem patente militar;
Inteligência e coragem;
Não lhe podia faltar;
Ele nasceu no Quilombo;
Porém foi aprisionado;
Criado por padre Antônio;
Francisco foi batizado;
Aprendeu lingua de branco;
Mas não se subordinou;
Dentro dele era mais forte;
O seu "eu" de lutador;
Fugindo para Palmares;
Ganga Zumba o recebeu;
O Quilombo estava em festa;
Viva Zumbi Ganga o rei;
Foi quando tudo mudou;
Até vir a traição;
Mataram Zumbi guerreiro;
Sem nenhuma compaixão;
Seu nome será lembrado;
Para sempre na história;
Força de espírito presente;
Não nos saia da memória;
Iê, viva meu Deus;
(Refrão) Iêêêê, viva meu Deus, camará;(Refrão)
Iê, viva Zumbi;
(Refrão) Iêêêê, viva Zumbi, camará;(Refrão)
Iê, viva meu Mestre;
(Refrão) Iêêêê, viva meu Mestre, camará;(Refrão)
Iê, a capoeira;
(Refrão) Iêêêê, a capoeira, camará;(Refrão)
Iê, viva Deus do céu;
(Refrão) Iêêêê, viva Deus do céu, camará;(Refrão)
Iê, salve a Bahia;
(Refrão) Iêêêê, salve a Bahia, camará;(Refrão)
Ai que saudade
Do tempo de antigamente
Quando os mestres se encontravam
Pra jogar a capoeira
Chapéu de palha
Terno todo alinahado,
Seus sapatos engraxadas
Que elegância, meu irmão,
Jogo de angola
Se arrastando pelo chão
Sem sujar as suas roupas
Esta era tradição
E os berimbaus
Tocavam em harmonia
Às vezes toque avisava
Quando a polícia se vinha
Que tempo bom
Tempo que não volta mais
Hoje trago na memória
Todos nossos ancestrais camará
Iê viva meu deus
iê viva meu deus, camará
Iê viva meu mestre
iê viva meu mestre, camará
Iê que me ensinou
iê que me ensinou, camará
Iê a capoeira
iê a capoeira, camará
Iê a malandragem
iê a malandragem, camará
Iê ta volta mundo
iê ta volta mundo, camará
Iê vamos embora
iê vamos embora, camará
Mandei, caiá meu sobrado
Mandei, mandei, mandei
Mandei caiá de amarelo
Caiei, caiei, caiei!
Amarelo que lembra dourado
Dourado, que é meu berimbau
Dourado, de cordão de ouro
Besouro, Besouro, Besouro
Pra quem nunca ouviu falar
Pra aqueles que dizem: é lenda!
Pois saibam que Besouro preto
Viveu, viveu e morreu!
Pras bandas de Maracangalha,
Sem temer a inimigo nenhum
Não valeu, seu corpo fechado
Pras facas de aticum!
Mas mesmo depois de morto
Entre uma e outra cantiga
Besouro vai sempre viver
Enquanto existir mandinga!
Mandei, caiá meu sobrado
Mandei, mandei, mandei
Mandei caiá de amarelo
Caiei, caiei, caiei!
Iê viva meu Deus!
Iê viva meu Deus, camará !
Iê viva meu mestre!
Iê viva meu mestre, camará !
Iê na capoeira!
Iê na capoeira, camará !
Iê vamos embora !
Iê vamos embora, camará !
Bahía, linda Bahía
Terra de tanta beleza
Há alí Amaralina, lagoa do Abaeté
Boqueiro de Itapõa, ladeira do Pelourinho
E no Mercado Modelo, camará, capoeira acarajé…
Viva meu Deus!
Eu mandei
Um recado lá pro céu
Pedindo pra Nosso Senhor
Que olhasse ao chegar
Que recebesse com glória
Nosso mestre Waldemar
A roda deve estar pronta
Pra quando ele chegar
Dê lhe um berimbau vozeiro
E por favor, deixe-o cantar
Diga lá menino velho
Como lá na Pero Vaz
Na Bahia de outrora
Dos seus tempos de rapaz
Lá se foi Pastinha e Bimba
E Besouro Mangangá
Deus achou que era tempo
De levar seu Waldemar
Atenção capoeiristas
Não é hora pra chorar
Feche os olhos e imagine
A roda vai começar, Camará
Todo mundo quer ser bom
Todo mundo quer ser bom
Mas ruim ninguém quer ser
Todo mundo quer matar
Mas ninguém não quer morrer
Já não sei como se vive, colega velho
Nesse mundo engenador
Fala muito é falador
Quem fala pouco é manhoso
Come muito é guloso
Come pouco é sovino
Se bater é desordeiro, colega velho
Se apanha ele é mofino
Trabalho tem marimbondo, oi iaiá
Fazer casa no capim
Vem o vento leva ela, ai meu Deus
Marimbondo leva fim
Caveira que te matou, ai meu Deus
Foi a lingua meu senhor
Eu sempre te dei conselho
Tu pensava ser ruim
E eu sempre lhe avisando
Colega velho
Inveja matou Caim, camará
Iê, é hora é hora
Iê, viva meu Deus
Iê, galo cantou
Iê, cocoroco…
Na vida tudo acontece
Olha o que aconteceu
João teve ouro teve gado
Hojge ele é um empregado
Na fazenda que era sua
Hoje ele toca o gado
Já teve várias mulheres
Vários carros importados
Hoje tem uma carroça
E um cavalo impacado
Uma casa com goteira
Sobre a luz do lampião
Bebida e mulher
Foi a sua perdição
Hoje nao tem mais dinheiro
A mulher lhe abandonou
Hoje vive pelo mundo
Disprezado sem valor
Camará...
Autor: Peninha
Lá no canto da senzala (2x)
Negro ajoelhado ao chão
pedindo a deus do céu
pra acabar com a escravidão
negro foi muito guerreiro
ao fugir de seu patrão
aprisionado na senzala
não entendia a razão
porque tanto sofrimento
porque tanta maldade
negro chora o lamento
gritando a liberdade
o grito de liberdade
este fato ocorreu
acabou a maldade
e o negro renasceu
das senzalas para os portos
roubando velhos mercados
do sistema o negro foi
novamente aprisionado
teu passado tem historia
que não posso esquecer
a capoeira que tu criou
hoje agradeço à você
camaradinha
Ê viva o negro
Ê foi o guerreiro
Ê da história
Ê do Brasil
Ê viva meu Deus
Ê camaradinha
Ê viva o mestre
Ê quem me ensinou
No navio negreiro
No tempo da escravidão
Seguia sem rumo o negro
Sem rumo seu coração
No canavial
Negro era o carro forte
Entre a vida e a morte
Negro era a solidão
Hoje negro é vida
Negro é luz é um talento
Mas que em certos momentos
Sinto em seu peito uma dor
Para tentar esquecer
Das angústias do passado
Daquele rosto marcado
Faz meu corpo enfraquecer
Mas algo
Dentro de mim é mais forte
Me conduz além da morte
E guia meu coração
Sinto em meu peito
A força da capoeira
Essa arte brasileira
Luta de libertação
Por isso
Quondo eu toco um berimbau
Sinto arrepiar a alma
Sinto a mente mais calma
Minha dor se vai então, Camarada
Riachão tava cantando, ai meu Deus!
Na cidade do Açú
Quando apareceu um negro
Quando apareceu um negro, oi iaiá
Da espécie de urubu
Com uma camisa de sola, oi iaiá
E calça de couro cru
Beiço grosso e virado, ai meu Deus
Como a sola de um chinelo
Um olho muito encarnado
Um olho muito encarnado
O outro bastante amarelo
Convidou a Riachão, ai meu Deus
Para vir cantar martelo
Riachão lhe respondeu
Eu aqui não tô cantando, oi iaiá
Com negro desconhecio
Você pode ser cativo, oi iaiá
E tá por ai fugido
Isso e dar fala nambú
Isso e dar fala nambú
Puxa já negro enxerido
Eu sou livre como o vento, oi iaiá
A minha linhagem é nobre
Nasci dentro da nobreza, oi iaiá
Não nasci na raça pobre
Você nega por que quer
Está congecido demais
Se você não for cativo, oi iaiá
Me diga o que você faz
Seja livre ou seja ou seja escravo
Eu quero cantar martelo
Afine sua viola
Vamos entrar em duelo
Só com a minha presence
O senhor já tá amarelo, camaradinha
Viva meu Deus…
A capoeira me ensina
A capoeira me ensina, colega velho
A capoeira me ensinou
A capoeira me ensina
A capoeira me ensina, colega velho
A capoeira me ensinou
Única coisa nos temos, cv
É só nossa percepção
Quando um fala sim, com certeza
Outro vai fala não
Um fala jogue em cima
Outro é melhor no chão
Uma escola fala bem
Outra (é) contra tradição
Cada dia cada roda
Cada dia cada roda
Sempre tem grande lição
Quem tá certo, quem tá errado
É só sua opinião
Camara
Nos terreiros cativeiro
Negro era sofredor,
Lutou com muita vontade
A capoeira ele emcontrou
Foi nos tempos de mandinga
Malandragem e escravidão
Ao som dos atabaques
Sangrava meu coração
Nos deixou sua cultura
O banzo e a solidão
Agradeça a Mestre Bimba
Que a regional criou
Olha a luta que veio do Batuque
No mundo se espalhou
Começou pela Bahia
Em Goias ele parou
Mas a luta ai não para
Mestre Camisa chegou
Branco em forma de negro
A capoeira renovou
Camará
É viva meu Deus!
Moça bonita dos cabelos enrolados,
que me deixou afogado nas águas da solidão.
Maré baixou, ela veio e me salvou.
Olhei para os olhos dela, ai meu Deus
que tanto amor.
Berimbau toca, a roda vai começando.
Capoeira eu vou jogando, porque tenho
que jogar.
Sou capoeira, me orgulho da minha arte.
É uma arte brasileira da vida da escuridão.
Os negros escravos foram uma raça
tão sofrida, ê, ê, ê.
Tanta dor, tanta ferida nas costas do negro
irmão.
Sofri bastante, hoje já não sofro mais ê, ê, ê.
Encontrei o meu amor ô, ia ia, não esquecerei jamais.
Iê moça bonita,
Iê moça bonita, camarada...
Composição: Serjão. Intérpetre: Tatinho.
A mulher da língua grande
A mulher da língua grande
E galo que não tem espora
Um fala da vida alheia
O outra canta fora de hora
Galo velho quando canta
Avisa que está na hora
Tropeiro que acorda tarde
Pega o burro na espora
Caçador quando se perde
É coisa do caipora
O cabra do sangue quente
Pra brigar não escolhe a hora
Quando vê a coisa feia
Na hora não se apavora
Quem sabe pega com jeito
Qem não sabe pega na tora
Vivo aprendendo nessa vida
O mundo é minha escola, Camaradinha...
Zumbi negro valente guerreiro,
que fugiu do cativerio para uma luta começar.
Ele fundou o Quilombo dos Palmares,
onde tinha liberdade e poder de se expressar.
Lá eles viviam em grande comunidade,
não existia desigualdade, nem tronco pra apanhar.
Mas certo dia,
em uma noite tão sombria,
todos esperavam ele.
Nada de Zumbi chegar, e de repente
no meio da multidão uma ecoava forte,
aconteceu a traíção.
Zumbi morreu, mas nada disso adiantou.
Hoje fazem 300 anos,
todos cantam em sou louvor
Iê, viva Zumbi
Iê, guerreiro de Palmares
Iê, viva meu mestre.
Composição: Jairão. Intérprete: Jairão.
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